sábado, 5 de janeiro de 2008

Capítulo 1 "Apresentação"

Eram dois.
O primeiro tinha como nome João Paulo, mas o chamavam de Jota Pê (ou só Jota mesmo). Garoto alto e esguio com pele morena clara. Cabelo rebelde e nunca penteado. A lordose e o jeito “jogado” de se andar definiam seu estilo como um rapaz despreocupado e sem muitas idéias. A marra era seu charme. Mas tinha um azar da porra com as mulheres. Socialmente conhecia muita gente, mas não tinha uma relação afetiva de amizade com quase ninguém. Sua vida era praticamente um jogo de experiências e curiosidade: Tinha que fazer tudo que pudesse e, claro, o que não pudesse também. A grana era pouca e seu sustento se baseava na lanchonete em que trabalhava. Nunca precisou de muito dinheiro, pois sempre dava um jeito em tudo. Tudo mesmo.
O segundo se chamava Samuel − ou Sam. Sujeito de tamanho moderado, moreno dos olhos verdes: por isso tinha uma bela sorte com garotas. Além do corpo malhado, seu físico era de um verdadeiro atleta. Talvez seja resultado de tanto pegar o baba. Cabelo curto e duro. Esse era bem tranqüilo e simples. Vivia uma vida pacata sempre que estava longe de seus amigos. Mas quando se juntava ao grupo a agitação predominava. Sua voz meio rouca e grossa, suas camisas regatas e seus tênis exóticos o definiam como um estiloso rapper americano. Mas nunca jogava as idéias pra fora da cabeça. Mantinha a mente aberta para o que viesse e fechada para o que saísse. Com tudo o que estava preso dentro de sua cabeça dava para escrever dez livros.
Os dois haviam se encontrado pela primeira vez no estádio do Parati − pertencente ao Timbápue Futebol Clube (TFC). Logo após a goleada de cinco a um no Guaraniba. A alegria casou com a cerveja e surgiu uma amizade recém nascida. Passaram a se encontrar em todos os jogos do TFC. Depois marcaram de se ver em shows, bares, até viagens. Em apenas três anos já eram irmãos de sangue e fígado.
Tretas rolavam sempre entre eles. Murros e chutes eram mais fortes nas brincadeiras do que nas brigas. Já tinham feito tanta merda juntos que estava difícil achar algo de novo pra experimentar.
Andavam também com outros dois garotos: Um loiro, alto, de pele avermelhada chamado Breno. E “Preto”, um moreno escuro, baixo, bombado e careca − com uma barbixa estilosa. Todos torciam pro Timbápue e formavam o grupo do Terror da Baixada Alvanesa. Três deles moravam no mesmo bairro, mas Preto ficava em outro um pouco distante: só chegavam lá de buzão.
Sexo feminino no grupo era pouco e, quando tinha, já havia sido “rodada” por todos eles. Vida de Solteiro é como um lema para Jota; uma honra para Breno; um caminho para Preto; e uma idéia para Sam.
Não eram temidos, nem taxados. Nem muito conhecidos, nem pouco procurados. Mas nunca ficaram um dia sequer parados no sofá. Estavam sempre por aí. Criando verdadeiras histórias em suas vidas.

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